Empoderamento feminino e a maternidade

Empoderamento feminino e a maternidade

Há alguns anos, as mulheres conquistaram direitos básicos, como estudar, votar e trabalhar,  e hoje a luta continua. Apesar dos avanços, a igualdade de gêneros ainda é um objetivo a ser alcançado, principalmente em países menos desenvolvidos.

Esse é um processo que leva bastante tempo, afinal, mudar uma mentalidade difundida há milhares de anos não é fácil, mas, quanto mais setores engajados nesse compromisso, mais a sociedade se informa a respeito dos direitos e deveres da mulher.

Sendo assim, o post de hoje é sobre a importância do empoderamento feminino, e nele falarei sobre a história da mulher no mercado do trabalho: suas conquistas e desafios!

A mulher e o mercado de trabalho – História

Desde o século XVII, quando o movimento feminista começou a tomar forma politica, que as mulheres tentam colocar em prática o Artigo 113 da Constituição Federal, que diz que “todos são iguais perante a lei”.

Porém, foi durante a I e II Guerra Mundial que as mulheres tiveram de deixar os cuidados do lar para assumirem os negócios da família, uma vez que os maridos estavam ausentes e, mesmo com o fim das guerras, alguns não voltaram e outros voltavam mutilados e incapazes.

Foi então, no século XIX, que a mão-de-obra feminina passou a ser usada nas indústrias. Contudo, as jornadas de trabalho eram maiores e os salários, menores (em relação aos homens). Nessa época, surgiram algumas leis em benefício das mulheres, como a proibição do trabalho feminino no período da madrugada, ou do trabalho da mulher grávida nos períodos de um mês antes e após o parto.

Era também previsto em lei que a mulher grávida não poderia ser despedida, além da igualdade salarial entre os gêneros. Se ainda hoje essas leis não são cumpridas em algumas empresas, imagine na época em que surgiram.

Conquistas e Desafios

Para conseguirem boas oportunidades no mercado de trabalho, as mulheres precisam se esforçar e se qualificar mais, o que significa que elas gastam muito tempo e dinheiro em cursos e estudos.

Mas isso não as impede de fazer acontecer: pelo contrário, elas se preparam mais para o trabalho a ser desenvolvido. Isso explica os resultados de pesquisas que mostram que cada vez mais mulheres ocupam cargos de liderança nas empresas, além de serem escolhidas para a maioria das novas vagas. O ideal é que esse esforço extra não fosse preciso, mas pelo menos agora estamos começando a ter reconhecimento e mérito pelo trabalho duro.

Além disso, é raro imaginar algum cargo ou trabalho que não esteja sendo desempenhado por mulheres hoje em dia: de donas de casa a líderes mundiais, elas estão em todos os lugares. Até mesmo em trabalhos que muitos ainda consideram “pesados” ou “inadequados” para elas, é possível ver ocupações femininas, como motoristas de ônibus, caminhão e táxi.

Apesar disso, ainda há um longo caminho a ser percorrido, pois o quadro geral é de resistência e discriminação com a mulher ocupando algumas posições, como árbitro de futebol, por exemplo.

Se engana quem pensa que a jornada de trabalho das mulheres acaba quando elas vão para casa: um dos maiores desafios da mulher é conciliar a rotina pessoal e a profissional. Apesar de terem conseguido se inserir no mercado de trabalho, continua sendo cobrado da mulher que ela cuide da casa e dos filhos, uma vez que muitos homens ainda acreditam não ter obrigações a cumprir nesses setores.

Essa dificuldade se mostra ainda mais em evidência quando pensamos nas leis que se relacionam à licença maternidade. Engravidar é um papel único e exclusivo da mulher, mas isso não significa que ela tem mais responsabilidades com o filho do que o pai da criança.

Essa sobrecarga e cobrança em cima da mulher vem de todos, inclusive dela mesma, o que acaba fazendo as mulheres terem que decidir entre família e profissão. Nesse caso, sempre haverá uma perda, enquanto no fundo, todos poderiam sair ganhando se houvesse mais apoio e empatia da parte das empresas e do governo.

A igualdade do gênero vai além das mulheres fazerem o mesmo que os homens. É preciso que o inverso também aconteça e que não haja distinção em nenhuma esfera para que, então, ocorra a plena igualdade.

Os Princípios do Empoderamento das Mulheres

Empoderar as mulheres e igualar as condições entre os gêneros para práticas econômicas e sociais são atitudes que andam de mãos dadas, consideradas pela ONU o caminho para o a melhoria da qualidade de vida de todos os indivíduos e do desenvolvimento sustentável, uma vez que o número de mulheres no mundo está quase igual ao de homens.

Pensando nisso, a ONU Mulheres e o Pacto Global criaram alguns Princípios do Empoderamento das Mulheres, para que a comunidade empresarial insira algumas práticas em sua política: basta a cada empresa aderir e seguir os princípios. São eles:

I – Estabelecer liderança corporativa sensível à igualdade de gênero, no mais alto nível;

II – Tratar todas as mulheres e homens de forma justa no trabalho, respeitando e apoiando os direitos humanos e a não-discriminação;

III – Garantir a saúde, segurança e bem-estar de todas as mulheres e homens que trabalham na empresa;

IV – Promover educação, capacitação e desenvolvimento profissional para as mulheres;

V – Apoiar empreendedorismo de mulheres e promover políticas de empoderamento das mulheres através das cadeias de suprimentos e marketing;

VI – Promover a igualdade de gênero através de iniciativas voltadas à comunidade e ao ativismo social e

VII – Medir, documentar e publicar os progressos da empresa na promoção da igualdade de gênero.

A partir desses princípios, estão sendo criadas associações para estimular o empoderamento feminino, como a Associação Movimento Mulher 360, que tem como base o desenvolvimento econômico da mulher nas empresas e na comunidade. Com isso, entendemos a importância do apoio e das iniciativas vindas de empresas de todos os ramos, pois, além de dar maior visibilidade ao movimento feminista, instaura novos hábitos e maneiras de pensar o mundo, dessa vez praticando a igualdade entre homens e mulheres.

É preciso ressaltar que o empoderamento feminino deve ir muito além das corporações e do círculo empresarial. Ele deve se estender a um reconhecimento do papel da mulher como agente de desenvolvimento cultural, político, econômico e social, de modo que as mulheres e os homens tenham as mesmas oportunidades e mesmas condições para realizarem qualquer atividade.

Em outras palavras, é tempo de igualdade total de gêneros, em todas as esferas da sociedade.

Vamos aproveitar o dia das Mães para refletir. Afinal, equilibrar a maternidade no auge da carreira é um baita desafio. Não é mesmo?